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Saúde mental e pandemia: o que é “normal” sentir diante de uma situação anormal?



Desde o final do ano de 2019, temos acompanhado os diferentes impactos da pandemia de Covid-19 nos mais diversos cenários em todo o mundo. No Brasil, foi iniciado um distanciamento social voluntário em meados de março de 2020, trazendo aos brasileiros uma nova vivência em termos de trabalho, funcionamento de escolas, uso de serviços de saúde, dentre outros. Mas o que é “normal” sentir diante de tanta mudança e precaução contra um inimigo invisível? Justamente disso que falaremos hoje.


Pesquisas do campo científico da Psicologia nas Emergências e Desastres, sendo tomadas neste texto como referencial a Cartilha* Fiocruz, apontam que em um cenário de pandemia é normal ter reações como o medo:

  • De adoecer e morrer;

  • De perder pessoas amadas;

  • De perder meios de subsistência ou ser demitido;

  • Quanto a exclusão social por aproximação à doença;

  • Da necessidade de separar-se de entes queridos;

  • De transmitir o vírus para outras pessoas

Ainda neste momento, são recorrentes sensações de impotência, irritabilidade, angústia e tristeza que, em situação de isolamento, também podem trazer ainda o sentimento de desamparo, o tédio e a solidão.

Em reações comportamentais comuns nota-se ainda, sobretudo no primeiro trimestre de uma situação de crise:

  • Alterações ou distúrbios de apetite (excesso ou falta);

  • Alterações ou distúrbios do sono (pesadelo, insônia ou sono em excesso);

  • Aumento de conflitos (familiares, em equipes de trabalho, etc);

  • Aumento de situações de violência doméstica e contra profissionais de saúde;

  • Pensamentos recorrentes quanto a pandemia, sobre a saúde da família ou quanto a morte

Sabemos o quanto essas e outras reações são incômodas e cujo atravessamento é difícil, entretanto é importante diferenciar as reações esperadas daquelas situações psicológicas de um maior agravamento. Neste sentido, é importante avaliar e diferenciar:

  • Quando os sintomas acima são persistentes e o sofrimento é intenso;

  • Em caso de comprometimento significativo do funcionamento social e cotidiano;

  • Dificuldades profundas nas relações familiares e de trabalho;

  • Risco de complicações, em especial o suicídio;

  • Agravamento de dependência

Em caso de avaliação dos elementos supracitados, seja para você ou para alguém próximo, é importante buscar ajuda profissional através da rede de atenção psicossocial da região ou mesmo atendimento online de Psicólogos, Psicanalistas e outros capacitados profissionais em atuação na saúde mental.


São exemplos de projetos gratuitos para atendimento: "Humanidades 2020", "Psicologia Solidária Covid-19" (Instagram @psicologiasolidaria.covid19), "Rede de Apoio Psicológico" (https://www.rededeapoiopsicologico.org.br/", "Redescobrir" (Instagram @gruporedescobrir), dentre várias outras iniciativas de atendimento aos profissionais de saúde e/ou à população geral.

Lembrando que você ainda pode contar com o CVV (Centro de Valorização da Vida), que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.


A prevenção e a saúde mental são primordiais neste momento.

Cuide-se!




Texto baseado na Cartilha* "Saúde Mental e atenção Psicossocial na Pandemia Covid-19 - Recomendações Gerais" da CEPEDES, Fiocruz, 2020


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