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Do tatibitate dos filhos, ao tatibitate dos pais.


Talvez você nunca tenha ouvido falar na palavra tatibitate, mas certamente já usou o tatibitate em algum momento ou mesmo já viu quem o fizesse. O tatibitate é a dificuldade ao falar e o trocar das letras ou modificar a fala de maneira mais próxima daquilo que se ouve. São exemplos desse uso: “pepeta”, “papato”, “dedeira”, dentre outras várias palavras.

Inicialmente um bebê não tem domínio da linguagem, falando com tatibitate para se fazer compreender. Por sua vez, os pais passam a usar esses mesmos termos para se comunicar com a criança, o que inicialmente e em si não seria um problema. Em contrapartida, o uso prolongado dessas expressões pode levar à fala infantilizada da criança, prolongando-se até a fala errada e dificuldades de alfabetização. O ideal é que os pais ou adultos responsáveis pela criança possam aos poucos repetir as palavras de forma correta, policiando-se para não reforçar o tatibitate.

Outro aspecto, segundo o psicanalista Nasio¹, é considerar o bebê como um sujeito, uma pessoa inteira, com condição de entender o que está sendo dito, pois a forma que é feito o diálogo com a criança, diz da relação e da maneira como os cuidadores o enxergam.

Ele diz:

“É preciso evitar falar com as crianças assim, a não ser com bebês. É muito importante que o pai, a mãe ou a professora sintam a criança como uma pessoa inteira, que não a sintam como algo pequeno. Não se trata de achar que ela é adulta, mas que é um interlocutor válido, alguém que compreende, sabe e sofre. Significa que você a respeita, que a vê como sujeito. Não é fácil. Os pais têm a tendência de falar com os filhos como se eles fossem sempre pequeninos, indefesos, fracos, sem inteligência. Muitas vezes pensando: eles não sabem de nada. Não é bom. É preciso falar-lhes como pessoas que compreendem. Eles sabem muito mais do que nós imaginamos”.

Podemos então pensar que o tatibitate tem função em termos de desenvolvimento, mas deve ser observado e evitado pelos cuidadores para que não passe a ser prejudicial.



¹Juan-David Nasio, em entrevista a revista Istoé. Acesso: http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/33046_FALE+SERIO+COM+ELES

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